Atlantia e ACS podem dividir ativos da Abertis

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A operadora de estradas italiana Atlantia e a construtora espanhola ACS negociam unir forças para comprar a Abertis, da Espanha, em negócio que poderia chegar a € 19 bilhões. As duas empresas concorrem há meses entre si pelo controle da Abertis e entraram em uma guerra de ofertas cada vez maiores.

Também cresceram os temores, no entanto, de que as propostas na mesas poderiam já estar demasiado elevadas e de que uma guerra de ofertas tornaria a Abertis ainda mais cara.

Ontem, os dois grupos confirmaram estar “em conversas” sobre “a concorrência de aquisição da Abertis”, embora tenham ressaltado que não chegaram a acordo. Os comentários foram uma resposta à notícia do jornal de finanças espanhol “Expansión” de que as duas empresas negociavam há semanas como dividir a Abertis entre eles.

O “Expansión” destacou que as negociações buscam distribuir de forma aproximadamente equitativa os ativos internacionais e espanhóis da Abertis.

O comunicado das duas empresas foi bem recebido pelos investidores. As ações da ACS fecharam em alta de 7,75%, enquanto as da Atlantia subiam 5,05% nas sessões de ontem. Os papéis da Abertis, entretanto, recuaram 3,97%.

Em maio, a Atlantia, controlada pela bilionária família Benetton, fez oferta de € 16,3 bilhões pela Abertis, um negócio que criaria a maior operadora de estradas com pedágio do mundo e remodelaria o setor na Europa.

Em outubro, a Hochtief, braço alemão da ACS, apresentou uma contraoferta de € 18,6 bilhões. A construtora espanhola vê a transação como uma forma de diversificar suas operações.

Em resposta, o executivo-chefe da Atlantia, Giovanni Castelluci, disse estar preparado para elevar a oferta. “Acreditamos ter espaço para fazer, no momento certo, uma oferta competitiva, sem ameaçar a criação de valor”, disse ao “Financial Times”, em novembro.

Questões políticas complicam a disputa. A oferta da Atlantia enfrentou oposição política, com mostras públicas de dúvidas por parte de dois ministros: o ministro das Obras Públicas, Íñigo de la Serna, e o ministro de Energia, Álvaro Nadal.

Parte da desconfiança tem raiz na recente história empresarial espanhola. Em 2007, a Enel, da Itália, e a Acciona, da Espanha, compraram em conjunto o grupo espanhol de energia Endesa, mesmo depois de o governo na época ter tentando defender uma transação integralmente espanhola.

Posteriormente, o negócio foi criticado pesadamente como tendo sido negativo para a Espanha. Nadal acusou a Enel de investir pouco na Espanha para, assim, criar mais empregos na Itália.

A divisão dos ativos da Abertis poderia ajudar a aliviar os temores políticos de que a empresa seria assumida por um grupo italiano, principalmente se pelo menos metade dos ativos espanhóis fosse para a ACS.

A atual oferta da Hochtief ainda precisa de aprovação do órgão regulador do mercado financeiro espanhol, a CNMV, algo esperado para os próximos dias.

A aprovação dá inicio a contagem regressiva de um período de 30 dias, no qual as ofertas de ambos os lados podem ser elevadas. Nesse período, os dois lados também poderiam decidir unir forças. Caso não o façam, o regulador espanhol vai pedir à Atlantia e à Hochtief que apresentem suas ofertas finais em envelopes fechados.f


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