Aqua Capital adquire empresa da área de nutrição

Valor Econômico – 17/03/2016

A gestora de fundos de participações em empresas (private equity) Aqua Capital fechou a compra do controle da Yes, empresa nacional de aditivos para a alimentação animal. Com o aporte inicial de R$ 40 milhões da nova sócia majoritária, a companhia pretende triplicar sua capacidade instalada.

Criada em 2009, a Yes chamou a atenção da gestora não só por seu crescimento anual expressivo – declarados 35%, em média -, mas pelo fato de a companhia estar posicionada em um ramo da ciência que ganha espaço à medida em que crescem os questionamentos sobre o uso de antibióticos na produção animal. Por atuar em uma faixa entre a nutrição e a farmacêutica, a Yes se considera uma “nutracêutica”.

No caso da nutrição animal, isso significa a produção de adsorventes (superfícies sólidas insolúveis capazes de efetuar em sua superfície a adesão de moléculas insolúveis dispersas em meio líquido ou gasoso) de micotoxinas, prebióticos e minerais orgânicos, com o objetivo de melhorar o desempenho e a sanidade dos animais, sem contrapartidas consideradas nocivas. “Essa é uma das grandes promessas da nutrição animal”, afirma Victor Abou Nehmi Filho, CEO da Yes.

Com 160 funcionários e fábricas nas cidades paulistas de Lucélia, Borá e Novo Horizonte, a Yes exporta 20% da produção para 14 países, sobretudo na América Latina. Com a chegada da Aqua Capital, pretende construir duas outras unidades até o fim de 2017, também em Lucélia e Borá.

O executivo não revela faturamento ou volume de produção, mas diz que investirá R$ 70 milhões em três anos para responder melhor à demanda. A intenção é entrar nos EUA e na União Europeia e passar a exportar metade do que produz.

É nesses mercados que as discussões sobre antibióticos nas rações estão mais avançadas. O uso desses medicamentos – alguns também destinados ao tratamento humano – se tornou a hipótese mais aventada para explicar o recente fenômeno das “superbactérias”, resistentes a algumas drogas. Segundo essa tese, o consumidor ingere involuntariamente antibiótico ao comer carne.

Os medicamentos são adicionados diariamente à ração para prevenir doenças e promover o crescimento do animal. O que a Yes e a concorrência tentam fazer é avançar com alternativas viáveis, na esteira dos anúncios de grandes compradores do varejo americano, como McDonald’s, de que, com o passar do tempo, deixarão de aceitar carne de animais criados com antibióticos.

Nesse contexto, os prebióticos são vistos com entusiasmo, diz Nehmi, por estimular seletivamente a proliferação de bactérias desejáveis na microbiota intestinal. “O antibiótico é mais barato, mas mata as bactérias ruins [que causam doenças] e as boas também”, afirma Nehmi. “Já o prebiótico é a ‘comida’ das bactérias boas, que tornam a carne melhor. A corrida no mundo hoje é para alimentar as bactérias desejáveis”.

Com o aporte da Aqua, a Yes investirá em novos tipos de prebióticos, tornando-se a única empresa no mundo a ter quatro diferentes itens da categoria em produção para alimentação animal. A empresa já detém um portfólio de quase 50 produtos que tentam melhorar a absorção de minerais – os chamados quelatados, com mais de 90% de absorção pelo animal, segundo Nehmi.

Com experiência no mercado de terras, Nehmi viu um novo segmento com grande potencial quando fundou a Yes. Na empreitada, contou com a ajuda de “reforços” como Gabriel Jorge Neto, ex-executivo da Nutron, adquirida pela Cargill, e Roberto Valeixo, então da Alltech.

“Com menos de dez anos, a Yes detém um modelo operacional bem desenvolvido e atua em um segmento onde a demanda é maior que a oferta”, diz Sebastian Popik, fundador do Aqua Capital, com mais de US$ 450 milhões em gestão de empresas da cadeia do agronegócio.

A igc assessorou a Yes.


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