Fundos compram Óticas Carol por R$ 108 milhões

Valor Econômico – 08/03/2013
Por Vinícius Pinheiro – São Paulo

Um grupo de investidores liderado pela gestora britânica 3i fechou a aquisição da Óticas Carol, segunda maior rede de varejo do segmento no país, em um negócio de R$ 108 milhões. Ao lado de Ronaldo Pereira, atual presidente da companhia, eles ficarão com 100% da rede que pertencia a Marcos Amaro, filho do fundador da companhia aérea TAM, o comandante Rolim Amaro.
Criada em 1997, a Carol possui atualmente 490 lojas em 19 Estados e fechou o ano passado com um faturamento próprio de R$ 70 milhões e de R$ 300 milhões considerando também a receita obtida pelas franquias da marca. Os novos donos, que incluem ainda os fundos americanos Siguler Guff e Neuberger Berman, têm planos de triplicar o número de lojas em um período de três a cinco anos, o que deve levar a receita própria da empresa para R$ 200 milhões.
Após a conclusão do plano de expansão, a expectativa é que a rede como um todo, levando em conta as vendas das franquias, fature R$ 1 bilhão. Só neste ano, o plano é abrir até 200 unidades.
Com um modelo de franquias e dona de um laboratório e de um centro de distribuição que fornece produtos para a rede, a Carol imprimiu um ritmo forte de crescimento com foco na conversão de óticas independentes em lojas da marca, de acordo com Marcelo di Lorenzo, principal executivo da 3i no Brasil. “Com o acesso a melhores preços com fornecedores e a exposição da marca, a lucratividade das lojas chega a dobrar em um período de 18 meses”, diz.
O mercado de óticas no país, hoje muito fragmentado, deve passar por uma consolidação, segundo o executivo, que espera levar a Carol à liderança no segmento, atualmente ocupada pela Óticas Diniz. Além da abertura de lojas, a gestora pretende fortalecer a equipe da Óticas Carol. Um dos reforços já confirmados está no conselho de administração, que terá como um dos integrantes o presidente do Magazine Luiza, Marcelo Silva.
De olho no aumento da renda no país, os fundos que compram participações em empresas, também conhecidos como “private equity”, vêm fazendo investimentos pesados em companhias ligadas ao consumo interno. No caso da Óticas Carol, existe ainda um fator demográfico, em consequência do envelhecimento da população brasileira, segundo Di Lorenzo. “Mais de 90% das pessoas com mais de 40 anos, um dos grupos que mais cresce no país, começam a apresentar problemas de visão e necessitam de óculos”, afirma.
A compra do controle da Óticas Carol foi o segundo negócio da 3i no Brasil. Com um total de 11,3 bilhões de libras (US$ 17 bilhões) sob gestão, a gestora abriu o escritório brasileiro em 2011 e no mesmo ano adquiriu uma participação minoritária na Blue Interactive, provedora de serviços de TV a cabo e banda larga.
A negociação para a compra da Carol levou aproximadamente oito meses. A rede de óticas foi adquirida em 2008 por Marcos Amaro, que na época tinha apenas 23 anos. O empresário, responsável pelo atual modelo de negócios da companhia, afirma que já havia sido procurado por outros interessados na companhia. “Para a empresa atingir um novo patamar precisará de mais investimentos, que serão atendidos com a entrada dos fundos”, diz.
Amaro não revela os planos imediatos após a venda da rede e afirma que, no momento, pretende se dedicar a iniciativas na área cultural. Ele também é sócio das gestoras de fundos Arbela e V2 Investimentos.

 


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