Com Viena, Advent cria grupo Latino-Americano

Cynthia Malta 
15/10/2007

Na última quinta-feira, véspera do Dia das Crianças, Roberto Bielawski parecia uma, feliz da vida. Havia assinado o contrato de venda do grupo de restaurantes, lanchonetes e cafés Viena, fundado por ele há 32 anos, à empresa de private equity Advent. “Eu recebi propostas de outros fundos, mas não havia projeto de futuro. Desta (proposta) eu gostei, me entusiasmou e comprei a idéia”, disse o empresário ao Valor, que antecipou o negócio na edição de 20 de setembro.

O que atraiu Bielawski foi a possibilidade de ser acionista de um grupo que já nasce com um faturamento em torno de R$ 400 milhões e com ativos, por enquanto, no Brasil e México. O plano é fazer novas aquisições no mercado de alimentação fora de casa. Há negociações avançadas em Porto Rico e na República Dominicana. E não está descartada a idéia de ir à bolsa de valores, quando o grupo tornar-se mais robusto.

Em breve, será criada uma holding, ainda sem nome, que reunirá os negócios do Viena, e de outras empresas da Advent como o grupo RA ( possui restaurantes em aeroportos brasileiros, a confeitaria Brunella e serviço de catering aéreo), e a rede de churrascarias La Mansión (no México). Esta última tem um faturamento anual equivalente a R$ 120 milhões.

O fundador do Viena terá um assento no conselho da holding, ao lado de Silvana Mazza (antiga dona do grupo RA) e de Patrice Etlin, sócio e responsável da Advent no Brasil. O contrato assinado pelo empresário permite que ele compre ações da futura holding “até um certo limite”, que ele prefere não revelar.

“Vamos buscar mais especialistas do mercado de alimentação para integrar o conselho”, disse Etlin. A Advent comprou o Viena, por valor não revelado, por meio do fundo Lapef IV, que possui US$ 1,3 bilhão para investir na América Latina. Esta foi a primeira operação do Lapef IV.

À frente das operações no México, onde a Advent também opera no varejo em aeroportos, está o executivo Javier Gavilán, com experiência em comandar cadeias de restaurantes no Chile, na Espanha e na Argentina.

No Brasil, a Advent contratou Martin Escobari, que foi diretor financeiro do site de compras Submarino, tendo participado do processo de fusão com o site da Lojas Americanas, criando a B2W. “É esse know how forte de buscar sinergias que Escobari vai trazer às empresas do Viena e do grupo RA”, explicou Etlin.

A idéia é unir as áreas administrativa e financeira, por exemplo, mas “manter intactas as áreas operacionais”, que envolvem o preparo das refeições.

A direção geral do Viena ficará a cargo de Délcio Albocino, sócio do Viena no Rio de Janeiro. Ele terá a seu lado Antônio Attel, também sócio no grupo, para dirigir as operações da rede.

Etlin quer aproveitar o crescente número de shopping centers para ampliar a rede Viena, hoje com cerca de 70 pontos. Bielawski diz que o modelo de cafés também vai crescer. Por enquanto, há apenas um V.Café na megaloja da Livraria Cultura instalada no Conjunto Nacional, em São Paulo. A meta é ter 20 cafés em quatro anos.

“Mas não vamos entrar em fast-food”, diz o fundador do Viena. “O objetivo é servir comida saudável, de qualidade a um preço razoável”, insiste. Para isso, há enorme demanda e não apenas no Brasil, diz, sonhando em “exportar” a marca Viena a outros países.

Quanto ao Ráscal, rede de restaurantes que não entrou na operação com a Advent, Bielawski diz que a meta é sofisticar. Para transformar a rede de 6 restaurantes em uma “cadeia de casual dinning de altíssimo padrão”, ele conta com o comando de Angel Testa, que saiu do Viena e tem agora uma pequena participação acionária no Ráscal. Em outubro será aberta a sétima unidade no shopping Rio Sul, no Rio de Janeiro, e em 2008 mais uma no bairro do Itaim, na cidade de São Paulo.

Com o Viena, a americana Advent já soma uma carteira de nove empresas no Brasil. Além do grupo RA, o fundo também é dono da Brasif, empresa que possui as lojas duty-free nos aeroportos brasileiros, da seguradora J. Malucelli, Atmosfera (lavanderia), Asta Médica (laboratório), Atrium Telecom, Microsiga, e CSU CardSystem. Fundada em 1984, a Advent já negociou mais de 200 aquisições e transações de private equity, avaliadas em mais de US$ 30 bilhões, em 35 países.

Se depender de Bielawski, os negócios do fundo americano vão crescer ainda mais. ” Se eu vier a fazer negócio com o Ráscal, será com o Advent”, disse ele, já planejando futuras parcerias.

 

 


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