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Ano com resultados muito variados, 2025 se revelou difícil para a conclusão de movimentos de fusão e aquisição de empresas do setor químico, em especial distribuidores. Resultados financeiros fracos, tanto do lado comprador, quanto do vendedor, colocaram água fria na fervura registrada em anos anteriores que tiveram uma dinâmica mais acelerada de negócios.
“Ninguém quer vender sua empresa na fase de baixa, nós nem recomendamos isso, preferimos esperar momento mais adequado; mas, por sua vez, os compradores internacionais também tiveram balanços ruins e isso reduziu a disponibilidade de recursos para aquisições”, avaliou Flávia Silveira, sócia especialista em químicos da igc Partners, assessoria especializada em fusões e aquisições que só atua no sell side. Também é preciso considerar que avaliação, integração e adaptação de negócios com as adquiridas são operações caras, difíceis de justi car em anos ruins.
Silveira avalia 2025 como um ano diferente dos anteriores. “Avaliando as empresas, ou elas foram muito bem, ou foram muito mal, não houve meio termo”, a rmou. Ela percebeu que as empresas focadas em segmentos especí cos do mercado químico tiveram melhores resultados, a exemplo de fragrâncias, aromas para alimentos e insumos para tratamento de água. Distribuidores generalistas registraram desempenho pior, cando com margens mais pressionadas. “Elas não conseguiram lidar bem com as mudanças macroeconômicas, tarifas comerciais e variação cambial, com queda do dólar”, ressaltou.
Ela também apontou uma categoria que manteve bons resultados, formada por empresas que importam ingredientes, mas possuem capacidade física e técnica para fazer formulações e até desenvolver produtos com pessoal próprio. São empresas que possuem um papel dominante na relação com os clientes e, por isso, operam com margens mais elevadas.
Nesse ambiente, ela con rma que o interesse das companhias internacionais de comércio químico pelo mercado brasileiro está mantido. “Conversamos com mais de 500 empresas do mundo todo no ano passado, com ênfase na Europa e nos Estados Unidos, e todas rea rmaram a vontade de investir no Brasil como um passo para crescimento institucional”, relatou. Os empresários locais também se mostram interessados em formar joint ventures, parcerias em mesmo na venda total de seus negócios. “O desa o de 2025 foram os resultados nanceiros fracos aqui e lá”, explicou. “Tanto que as atividades de M&A na distribuição química mundial caíram muito no ano passado.”
Apesar da maré baixa, a igc Partners assessorou a venda da casa de aromas brasileira Solutaste para a Sinergy Flavours, do grupo Carbery, com sede na Irlanda, operação concluída em novembro.
Logística – Os tarifaços impostos por Trump a vários países, intermitentes ou não, reforçaram tendências de reorganização da cadeia de suprimentos que apareceram durante a pandemia da covid-19. “As cadeias logísticas estão sendo reorganizadas, com reforço do nearshoring, isso não deve se reverter”, assegurou Silveira.Em contato frequente com clientes no México e na Colômbia, ela vericou a procura por fornecedores mais próximos, além de buscar fontes de suprimento com maior a nidade, evitando dissabores geopolíticos. “Esse é um fator de decisão novo no negócio”, apontou.
As companhias asiáticas também enxergam esse movimento e procuram estabelecer relacionamentos com empresas não-asiáticas, criando triangulações de produtos que sejam aceitáveis. “Talvez isso seja interessante para empresas brasileiras, mas vai requerer algum grau de industrialização dos produtos, dependendo das exigências do país e destino”, a rmou. “Isso não exime as empresas Divulgaçãolocais de operar negócios próprios por aqui, onde a região Sudeste é a mais relevante.
”As operações no mercado dos EUA foram ainda mais difíceis, pressionando os executivos do ramo. “Muitos empresários tomaram decisões rápidas com base nos dados de maio e se deram muito mal porque as regras de Trump mudaram e ainda podem mudar novamente”, explicou.
A especialista da igc comentou que essa turbulência afetou os negócios de M&A. “Decisões estão sendo continuamente adiadas no México, não há uma leitura nal sobre o fator Trump nos negócios, é melhor esperar”, disse.
Ao contrário do previsto, as companhias chinesas não desovaram produtos químicos no Brasil na forma de desvio de comércio que iria aos EUA. “Não houve grandes restrições aos produtos chineses no mercado americano, ao contrário do que se esperava inicialmente”, verificou.
Flávia Silveira revelou um aspecto novo no mercado global de químicos. “Muitos executivos de grandes companhias e alguns clientes estão interessados em atuar na África, que poderá ser a próxima bola da vez no mercado”, salientou. “Seria uma boa oportunidade para os distribuidores brasileiros, pela proximidade geográca e até pelo idioma compartilhado com alguns países.”
Oportunidades – Na visão de Flávia Silveira, o mercado de M&A no setor químico deve continuar ativo nos negócios de médio porte e nas empresas de nicho. “Há empresas que não estavam no radar que estão vindo para cá, geralmente empresas médias e de dono com sede na Europa e na Ásia estão ganhando espaços de mercado e devem ser protagonistas em 2026”, salientou. A igc procura interessados lá fora pelas empresas nacionais e também é procurada por eles, lembrando que cada companhia possui critérios próprios de avaliação e condução de negócios.
No caso da igc, a equipe comandada por Silveira é focada no setor químico e aponta um crescimento de negócios também no campo de indústrias do setor, além das distribuidoras.
Em escala global, ela avalia que as grandes distribuidoras perderam espaço no mercado. “Há ciclos de expansão e retração, por exemplo, a Univar só anunciou uma aquisição nos últimos dois anos; mesmo a gigante Brenntag, a maior do ramo, só detém 5% de participação no mercado mundial, que segue muito fragmentado e competitivo”, explicou. “Essas companhias devem voltar à atitude agressiva em M&A em algum momento.”
Sua expectativa para 2026 é de uma estabilização dos negócios, depois da retração de 2025. “Seguirá ruim para os generalistas, ainda será um ano de plantio, pelo menos é o que se espera para o primeiro semestre, com a colheita dos investimentos em maturação prevista para 2027”, calculou. “As lições de casa estão sendo feitas.”
Ela espera uma recuperação lenta dos preços internacionais neste semestre, mas ainda em um patamar mais baixo do que o veri cado antes da pandemia. “As empresas de nicho já estão colhendo os frutos, terão bons resultados neste ano”, concluiu.
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