
Vender uma empresa leva, no mínimo, 9 meses. Não existe teto definido — processos mais complexos podem levar 18, 24 meses ou mais. O prazo depende do tamanho e da complexidade da empresa, do setor, do perfil dos compradores envolvidos, da profundidade da due diligence e de eventuais aprovações regulatórias.
Quem entra num processo esperando fechar em 3 meses quase sempre sai frustrado — ou sai com um preço inferior ao que poderia ter obtido. O tempo do processo não é burocracia. É o tempo necessário para construir competição real entre compradores e proteger o vendedor.
A preparação prévia bem feita é o fator que mais influencia o prazo e o resultado. Um processo bem preparado não só encurta as etapas seguintes — ele eleva o valuation.
O processo se estrutura em 3 fases sequenciais. Cada uma tem objetivos distintos, ritmo próprio e impacto direto no resultado final.
Fase 1 — Preparação (da porta pra dentro). Esta é a fase mais silenciosa — e a mais importante. Acontece 100% internamente, sob sigilo total. Nenhum comprador, fornecedor, funcionário ou concorrente sabe que o processo começou. O trabalho envolve estruturação financeira (auditoria de números, ajustes de EBITDA, organização do balanço), construção da tese de investimento, elaboração dos materiais de apresentação (teaser e memorando de informações), mapeamento de compradores potenciais — estratégicos e financeiros, nacionais e internacionais — e definição da estratégia do processo. A qualidade desta fase é determinante do preço final. Preparação fraca equivale a valuation menor. É o momento em que o empresário ainda toma decisões com calma, sem o mercado envolvido.
Fase 2 — Roadshow e Negociações. Aqui o processo ganha movimento. A empresa começa a ser apresentada ao universo de compradores selecionado na fase anterior — sempre sob sigilo. O contato inicial é feito por meio de um teaser anônimo, sem identificar a empresa. Apenas após a assinatura de NDA o comprador recebe o memorando completo. Em seguida, vêm as management presentations com os candidatos qualificados, o recebimento de NBOs (non-binding offers) — propostas iniciais com indicação de preço e estrutura, sem caráter vinculante — e a seleção dos compradores que avançam. Essa seleção pode resultar em 1, 2 ou mais compradores seguindo adiante, com ou sem exclusividade — a estratégia define, não uma regra fixa. A decisão não é só pelo preço: estrutura de pagamento e condições pós-deal têm peso igualmente relevante. O processo competitivo entre múltiplos compradores é o que gera poder de barganha real para o vendedor.
Fase 3 — Diligência e Contratos. Com o comprador ou compradores escolhidos na fase anterior, começa a etapa mais técnica do processo. A due diligence cobre as dimensões financeira, fiscal, trabalhista, jurídica e ambiental — é o comprador verificando o que comprou. Em paralelo, ocorre a negociação do contrato definitivo (o SPA, Share Purchase Agreement), com definição de cláusulas como declarações e garantias, indenização e earn-out quando aplicável. Depois vem o signing (assinatura), eventuais aprovações regulatórias — CADE ou agências setoriais para transações que exigem — e, por fim, o closing: o momento em que o dinheiro entra na conta do vendedor. Esta fase é onde o assessor protege o vendedor de cláusulas abusivas.
O tempo total do processo não é fixo. Veja os principais fatores que aceleram ou alongam cada fase.
Fase 1 — Preparação. A duração típica é de 2 a 4 meses. O que mais influencia o prazo é a qualidade e organização das informações financeiras da empresa, além da complexidade da tese de investimento.
Fase 2 — Roadshow e Negociações. A duração típica é de 3 a 5 meses. O que mais influencia o prazo é o número de compradores no processo, o engajamento dos candidatos e a estratégia adotada, seja competitiva ou bilateral.
Fase 3 — Diligência e Contratos. A duração típica é de 3 a 6 meses, ou mais. O que mais influencia o prazo é a profundidade da due diligence, a complexidade do SPA e a necessidade de aprovação regulatória, como CADE ou agências setoriais.
Total estimado. O processo leva a partir de 9 meses. A duração final depende da complexidade do negócio, do setor regulado, da preparação prévia e do número de compradores envolvidos.
Uma das maiores ansiedades do empresário que começa a considerar uma venda é: “vão saber que estou vendendo?”. Na Fase 1, a resposta é não. Todo o trabalho é interno. O empresário, seus sócios e o assessor constroem juntos a narrativa do negócio, organizam os números e mapeiam quem são os compradores ideais — sem nenhuma exposição ao mercado.
Esse período de preparação é onde se define quanto a empresa vai valer. Um EBITDA mal ajustado, uma tese de investimento fraca ou um memorando genérico chegam ao mercado e produzem um resultado mediano. Preparação prévia bem feita é a diferença entre um valuation médio e um excepcional. Não é a negociação que salva um deal mal preparado.
O mapeamento de compradores feito nessa fase também importa. O melhor comprador para a sua empresa frequentemente não está no radar óbvio. Assessores com cobertura global — e experiência em trazer compradores internacionais para o Brasil — ampliam o universo de forma relevante.
Um processo de venda bem conduzido acontece sob rigoroso sigilo do início ao fim. Funcionários, clientes, fornecedores e concorrentes não devem saber. Vazamento de informação prejudica o valuation, gera ansiedade interna e dá vantagem a quem está do outro lado da mesa.
Na Fase 2, o primeiro contato com compradores é feito via teaser anônimo — um documento que descreve o perfil do negócio sem revelar o nome da empresa. Só após a assinatura do NDA (acordo de não divulgação) o comprador recebe informações mais detalhadas. O processo competitivo e o sigilo não são opostos: é possível — e necessário — ter os dois ao mesmo tempo.
A igc partners representa apenas vendedores há 29 anos — transação sem conflito de interesses. Em mais de quinhentos deals sell-side, o padrão observado é consistente: processos bem preparados produzem resultados melhores, independentemente do prazo. Não existe atalho que substitua uma Fase 1 bem feita.
O processo na igc partners é conduzido por sócios do início ao fim. Não é equipe júnior gerenciando o mandato. É sócio na ponta, processo de dono pra dono. São 35 sócios, com escritórios em São Paulo e Miami e cobertura global — no último ano, a casa trouxe 12 compradores internacionais inéditos para o mercado brasileiro.
Esse é o diferencial que a igc partners une: a infraestrutura e o alcance global de uma casa grande, com a especialização setorial profunda e a proximidade com o empresário de uma boutique. Bancos de investimento têm escala e estrutura ampla. Boutiques de M&A tendem a ter sócios mais presentes e foco setorial mais concentrado. A igc partners reúne as duas dimensões — e é exclusiva do sell-side.
Pode acontecer sem prejuízo ao preço, desde que duas condições estejam presentes: a empresa já estava bem preparada — com a Fase 1 em estado avançado quando o mandato começa — e o comprador está engajado, geralmente um estratégico que já estudou o setor ou um financeiro com tese pronta. Quando as duas condições se encontram, o processo pode fechar em menos tempo sem comprometer valor. O que reduz preço não é o prazo curto em si — é processo mal preparado ou competição insuficiente entre compradores.
NBO é a non-binding offer — a proposta inicial do comprador com indicação de preço e estrutura, sem caráter vinculante. Aparece ao final da Fase 2, depois das management presentations. Com base nos NBOs recebidos, o vendedor seleciona os compradores que avançam para a próxima etapa — pode ser 1, 2 ou mais, com ou sem exclusividade, dependendo da estratégia do processo. A seleção não é só pelo preço: estrutura de pagamento e condições pós-deal têm peso igualmente relevante.
Os principais fatores são: due diligence que revela pontos não mapeados na preparação (o que exige renegociação), empresas em setores regulados que precisam de aprovação do CADE ou de agências setoriais, compradores financeiros com processo interno de aprovação mais longo, e negociação de cláusulas complexas no SPA. Em todos esses casos, uma preparação prévia sólida reduz o risco de surpresas e encurta o tempo de resolução.
As três fases são similares, mas a execução varia. Bancos de investimento têm escala e infraestrutura ampla. Boutiques de M&A tendem a ter especialização setorial mais profunda e sócios conduzindo o processo diretamente. A igc partners é única no mercado brasileiro por aliar as duas dimensões — infraestrutura e cobertura global, com 35 sócios, escritórios em SP e Miami e 12 compradores internacionais inéditos no último ano, combinados com especialização setorial profunda e sócios na linha de frente do início ao fim. Processo de dono pra dono.
Na Fase 1, ninguém de fora da empresa sabe — é trabalho 100% interno. Na Fase 2, apenas os compradores que assinaram o NDA têm acesso às informações da empresa. Funcionários, clientes, fornecedores e concorrentes não devem saber durante o processo. Um processo competitivo bem feito mantém sigilo rigoroso do início ao fim. Vazamento de informação prejudica o valuation e dá vantagem a quem está negociando do outro lado.
Por Murilo Oliveira — Sócio, igc partners